< MUDAS DE ANGICO VERMELHO-ARVORES NATIVAS DE ANGICO VERMELHO

mudas nativas angico vermelho

Chacara das Palmeiras-Tupã

Angico vermelho - Piptadenia rigida

 

Nome cientifico: Piptadenia rigida Família: Fabaceae Mimosoideae Nomes populares: Angico vermelho
Onde é encontrada: Encontrada com pouca freqüência nas matas da região.
Características: Árvore de grande porte, 20 a 30 metros de altura. Folhas pinadas, folíolos muito pequenos. Flor branca pequena. Fruto vagem. Possui espinhos nos galhos.
Utilidades: Fornecimento de madeira. Melífera. Fruto atrai insetos que são procurados pelos pássaros.
Época de floração e frutificação: Floresce em Setembro. Coleta de sementes em Agosto.

angico vermelho

 

PRODUÇÃO DE MUDAS DE ANGICO-VERMELHO (ANADENANTHERA
MACROCARPA (BENTH.) BRENAN) EM SUBSTRATO A BASE DE CASCA DE
PINUS COMPOSTADA, VARIANDO AS SOLUÇÕES DE FERTIRRIGAÇÃO
Isabele Sarzi¹; Ariana Mika Inoue²; Quirino Augusto de Camargo Carmello³
1
Pesquisadora Científica do Instituto Florestal da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Rua do Horto, 931 –
CEP 02.377-000 São Paulo, SP. (isarzi@if.sp.gov.br); ²Engenheira Agrônoma (ariana.inoue@gmail.com;
³Professor Doutor Associado da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (qaccarme@esalq.usp.br).
RESUMO
O trabalho objetivou estudar a formação de mudas de Anadenanhera macrocarpa em
substrato a base de casca de Pinus compostada, variando as soluções de fertirriga ção, que
foram aplicadas por subsuperfície. Os tratamentos testados foram cinco soluções de
fertirrigação que variaram a fim de obter soluções completas com condutividades elétricas de:
1,0 dS m-
¹, 2,0 dS m-
¹, 3,0 dS m-
¹, 4,0 dS m-
¹, 5,0 dS m-
¹. A análises morfológicas (altura de
parte aérea das mudas e diâmetro de colo) foram feitas a cada 15 dias, aproximadamente.
Verificou-se que a partir dos 54 dias após a semeadura as alturas aumentam com o aumento
das concentrações de fertilizantes das soluções de fer tirrigação. O mesmo foi apresentado para
o diâmetro de colo. Sugere-se a aplicação de solução de fertirrigação de 4,0 dS m
¹, com as
proporções de nutrientes testadas, para a produção de mudas de Anadenanthera macrocarpa.
Palavras-chaves: Anadenanthera macrocarpa; mudas; soluções de fertirrigação.
9 a 12 de setembro de 2008 - Fortaleza - CE - Realização: Embrapa Agroindustria Tropical, SEBRAE/CE e UF C
Devido a sua importância, muitas informações sobre esta espécie, bem como as de outras
florestais, relacionam-se principalmente às características botânicas e dendrológicas, porém,
informações sobre a fertilização, principalmente de mudas na fase de viveiro, são escassas
(CARVALHO, 2003).
Segundo CARNEIRO (1995), a fertilização pode ser considerada a principal causa que
afeta a qualidade fisiológica das mudas e, conseqüentemente, o desempenho destas em
campo.
Além disso, muitos problemas nutricionais podem ocorrer no campo alguns meses após o
plantio, pois é nessa ocasião que as mudas respondem aos tratamentos que foram
implementados na fase de viveiro (CARNEIRO, 1995).
Pesquisas relacionadas à fertirrigação permitem estabelecer padrões de fertilização
próprios principalmente no caso de uma fertirrigação freqüente e em períodos curtos de
tempo, já que os elementos estão prontamente disponíveis facilitando a perda de nutrientes
por lixiviação (HERNANDEZ, 1994).
Este trabalho justifica-se pelo angico-vermelho (Anadenanthera macrocarpa (Benth.)
Brenan) ser uma espécie de grande importância econômica devi do à produção de sua madeira
principalmente para carpintaria, marcenaria, confecção de dormente s, construção civil e
naval. Além disso, pode ser utilizada em programas de recuperação de áreas degradadas
tornando-se necessária a melhor compreensão de suas c aracterísticas na obtenção de mudas de
qualidade.
Este estudo visou analisar a resposta das mudas de Anadenanthera macrocarpa quanto às
doses variadas de adubação, produzidas em substrato a base de casca de Pinus compostada.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido em casa-de-vidro do Viveiro Florestal da Capital, situado no
Parque Estadual Albert Löfgren, no município de São Paulo .
Foi realizada a semeadura de angico-vermelho diretamente em tubetes cilindro-cônicos de
polietileno com dimensões de 14,0 cm de altura, 3,80 cm de diâmetro da abertura superior,
1,10 cm de diâmetro da abertura inferior e volume de 120m L, com oito estrias internas
salientes contendo substrato a base de fibra de coco e casca de Pinus compostada. Como
suporte para os tubetes foram utilizadas bandejas planas de polietileno com dimensões de 40 x
60 cm e capacidade para 108 tubetes.
O delineamento experimental foi o de blocos completamente ao acaso, com cinco
tratamentos e quatro repetições, sendo cada bandeja com 108 mudas corre spondente a uma
repetição, totalizando 2.160 plantas.
A aplicação das soluções de fertirrigação foi realizada semanalmente via irrigação por
subsuperfície em soluções completas com concentrações seguindo as doses de adubação a fim
de alcançar condutividades elétricas das soluções próximas de 1,0dS m -
¹; 2,0 dS m- ¹; 3,0 dS m - ¹; 4,0 dS m- ¹ e 5,0 dS m- ¹.
Para cada tratamento, os tubetes contidos nas bandejas eram imersos nas soluções
correspondentes aos tratamentos.
A avaliação das características morfológicas foi feita semanalmente, tomando-se a altura
da parte aérea e o diâmetro do colo de seis mudas por repetição, que foram mantidas até o
final do experimento.
Para medir a altura da parte aérea foi utilizada régua graduada de trinta centímetros (30
cm), tomando-se a distância entre o colo e a inserção do último par de folhas no ápice das
plantas. Para o diâmetro do colo, foi usado paquímetro digital.
RESULTADOS E DISCUSSÃOVI ENCONTRO NACIONAL SOBRE SUBSTRATOS PARA PLANTAS
MATERIAIS REGIONAIS COMO SUBSTRATO
9 a 12 de setembro de 2008 - Fortaleza - CE - Realização: Embrapa Agroindustria Tropical, SEBRAE/CE e UF C
Pela Tabela 1, observa-se que a partir dos 54 dias após a semeadura, mudas de angico -
vermelho apresentaram maiores alturas médias, conforme se aumentou aa concentração da
solução de fertirrigação, indicando que esta espécie é tolerante a altas concentrações de sais.
Ao contrário, CRUZ et al. (2004) avaliaram o desenvolvimento e qualidade das mudas de
Tabebuia impetiginosa quando submetidas à elevação da saturação de bases do substrato, e
verificaram que não houve diferença significativa na altura da parte aérea das mudas nos
tratamentos, assim como neste ensaio.
Ao contrário, também, dos resultados encontrados por SARZI (2006), onde mudas de
Tabebuia chrysotricha apresentaram maiores alturas nas menores concentrações de
fertilizantes.
É importante considerar que com a aplicação de solução de 4,0 e 5,0 dS m -
¹ as mudas
alcançaram altura de 20 centímetros aos 54 dias após a semeadura, que é considerada boa para
plantio em campo. Com a aplicação de solução de 1,0 e 2,0 dS m -
¹ as mudas ficaram prontas
para o período de rustificação após 82 dias da semeadura, ou seja, 28 dias após àquelas
produzidas nas maiores concentrações.
Tabela 1- Quadrados médios, níveis de significância e médias obtidas na análise de variância
para a altura de parte aérea de mudas de Anadenanthera macrocarpa produzidas
em casca de Pinus compostada, em diferentes soluções de fertirrigação.
Fatores ------------------------------------ Dias após a semeadura ------------------------------
de variação 27 40 54 68 82
Tratamento 0,12NS 2,91NS 33,84** 55,50** 78,13**
Blocos 0,10NS 1,27NS 3,41NS 6,40NS 10,11NS
Resíduo 0,35 2,40 4,73 6,12 6,24
CV% 0,76 0,11 0,12 0,12 0,11
Média Geral 7,8 13,5 18,1 20,1 21,8
CE – SOLUÇÕES --------------------------------------------- cm ----------------------------------------------
1,00 dS m-
¹ 7,8 12,6 14,9 15,9 16,6
2,00 dS m-
¹ 7,9 13,6 17,4 18,6 20,1
3,00 dS m-
¹ 7,5 13,1 17,3 19,9 22
4,00 dS m-
¹ 7,7 14,4 20,4 22,8 24,7
5,00 dS m-
¹ 7,9 13,7 20,6 23,2 25,6
REGRESSÃO
Equação y= 13,83+1,43x y= 14,47+1,88x y= 15,1+2,24x
R² 0,91** 0,96** 0,97**
NS=não significativo (P>0,05); *
= significativo (P<0,05); ** = significativo (P<0,01)
y= altura da parte aérea (cm); x= CE da solução de fertirrigação (dS m-
¹)
Pela Tabela 2, pode-se observar que os diâmetros de colo das mudas de angico-vermelho
não apresentaram diferenças significativas, mesmo sendo produzidas em diferentes soluções
de fertirrigação, até os 54 dias após a semeadura. A partir dos 68 dias após a semeadura,
mudas produzidas em solução de 4,0 dS m -
¹ apresentaram maiores diâmetros de colo.
Os diâmetros alcançados por essas mudas foram bem superiores aos alcançados por
CUNHA et al. (2005) em mudas de Tabebuia impetiginosa (0,4cm) e por SARZI (2006) em
mudas de Tabebuia chrysotricha.
Tabela 2 - Quadrados médios, níveis de significância e médias obtidas na análise de variância
para diâmetro de colo de mudas de Anadenanthera macrocarpa produzidas em
casca de Pinus compostada, em diferentes soluções de fertirrigação.
Fatores ------------------------------------------- Dias após a semeadura ------------------------------------
de variação 27 40 54 68 82
Tratamento 1,18x10- ²
NS 1,15x10- ²
NS 2,7x10- ²
NS 0,10** 0,22**
Blocos 1,48x10- ²
NS 1,56x10- ² *
1,73x10- ²
NS 0,03NS 0,04NS
Resíduo 8,43x10-
³ 5,51x10-
³ 1,55x10-
² 0,02 0,03VI ENCONTRO NACIONAL SOBRE SUBSTRATOS PARA PLANTAS
MATERIAIS REGIONAIS COMO SUBSTRATO
9 a 12 de setembro de 2008 - Fortaleza - CE - Realização: Embrapa Agroindustria Tropical, SEBRAE/CE e UF C
CV% 0,82 0,53 0,74 0,72 0,74
Média Geral 1,12 1,40 1,67 2,02 2,23
CE – SOLUÇÕES ----------------------------------------------------- cm --------------------------------------------------
1,00 dS m- ¹ 1,17 1,37 1,56 1,80 1,92 2,00 dS m- ¹ 1,17 1,48 1,66 2,03 2,19 3,00 dS m- ¹ 1,07 1,40 1,72 2,03 2,31 4,00 dS m- ¹ 1,12 1,39 1,73 2,14 2,42 5,00 dS m- ¹ 1,09 1,37 1,70 2,09 2,32
REGRESSÃO
Equação y= 1,58+0,26x-0,03x² y= 1,55+0,43x-0,05x²
R² 0,91*
0,99**
NS=não significativo (P>0,05); *
= significativo (P<0,05); ** = significativo (P<0,01)
y= diâmetro de colo (cm); x= CE da solução de fertirrigação (dS m-
¹)
Os resultados indicam que mudas de Anadenanthera macrocarpa devem ser
produzidas em solução de fertirrigação de 4,0 dS m -
¹, já que alcançaram alturas adequadas, e
maiores diâmetros de colo, indicando maior resistência da muda em campo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA, L.M.; MANTOVANI, W. Degradação Ambiental: Conceituação e Bases para o
Repovoamento Vegetal. In: Secretaria do Meio Ambiente do Estado (SP). Anais do
Workshop sobre a Recuperação de Áreas Degradadas da Serra do Mar e das Formações
Florestais Litorâneas - Recomendações, São Sebastião, SP. São Paulo, SP. p. 34-40, 2000.
CARNEIRO, J.G. de A. Produção e Controle de Qualidade de Mudas Florestais . Curitiba:
UFPR/FUPEF, PR 451p, 1995.
CARVALHO, P.E.R. Espécies Arbóreas Brasileiras. Embrapa Informação Tecnológica.
Brasília, DF v.1, 1039p, 2003.
CRUZ, C.A.F. et al. Efeito de diferentes níveis de saturação de bases no desenvolvimento e
qualidade de mudas de ipê-roxo (Tabebuia impetiginosa (Mart.)Standley). Scientia
Florestalis. Piracicaba, SP, n.66, p.100-107, 2004.
CUNHA, A.O. et al. Efeitos de substratos e das dimensões dos recipientes na qualidade de
mudas de Tabebuia impetiginosa (Mart. Ex D.C.) Standl. Revista Árvore, Viçosa, MG, v.29,
n.4, p.507-516, 2005.
DIAS, L.E.; GRIFFITH, J.J. Conceituação e Caracterização de Áreas Degradadas. In: Dias,
L.E. e Mello, J.W.V. (eds.) Recuperação de Áreas Degradadas, Viçosa: Universidade
Federal de Viçosa p. 1-9, 1998.
HERNANDEZ, F.B.T. Potencialidades da fertirrigação. In: VITTI, G.C.; BOARETTO, A.E.
(coord) Fertilizantes Fluídos. Piracicaba, SP: POTAFOS, p. 215-225, 1994.
LORENZI, H. Árvores Brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do
Brasil. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, v.1, 4º ed. 384p, 2002.
SARZI, I. Produção de mudas de ipê-amarelo variando a composição do substrato e as doses
de adubação de cobertura. Tese de Doutorado. Faculdade de Ciências Agronômicas,
Universidade e Estadual Paulista, 100p, 2006.
Fonte:http://www.cnpat.embrapa.br/viensub/Trab_PDF/sub_1.pdf